quinta-feira, 19 de julho de 2012

A fênix do Allman Brothers Band

Por Gabriel Albuquerque


Desde o final dos anos 1960, doses cavalares de cocaína já fazia parte do dia-dia do Allman Brothers Band, sendo que a última conversa entre os irmãos Gregg e Duane Allman, antes deste último morrer num acidente de moto, foi uma discussão sobre a droga. Mas foi na década de 1970, quando a banda se consagrou entre o público, que a situação declinou de vez. Em crise emocional pelas mortes do irmão e guitarrista Duane,  no ano seguinte, do baixista Barry Oakley, e mais uma série de casamentos e divórcios conflituosos, o líder do grupo, Gregg Allman, se afundou nas drogas e no álcool. No período de maior sucesso da Allman Brothers, o grupo comprou o seu primeiro avião particular. ‘’A primeira vez que entrei no avião foi assim: ‘Bem-vindo Allman Brothers Band !’ e cocaína exposta no bar ".  Mas todo esse excesso teria um preço. E o resultado foi fatal: ao final da turnê de 41 shows (com cachê de US 80.000 por show), só restaram US 100.000 para toda a banda. Brigas foram inevitáveis e culminaram na dissolução do conjunto.

Três anos depois a banda se reuniu e lançou o seu sétimo álbum de estúdio, Enlightened Rogues, que mesmo sendo bem recebido pela crítica, teve vendas modestas, muito abaixo do esperado.  No ano seguinte, mais uma tentativa, dessa vez por outra gravadora, a Arista: Reach For The Sky é um bom disco, mas muito aquém do que a Allman Brothers já lançara e sem nenhum grande hit. E em 1981 a gota d’água: o fraco Brothers of The Road, que mesmo com o hit ‘’Straight From The Heart’’, teve vendas pífias que, somadas às brigas de ego e dinheiro, resultaram, mais uma vez no término da banda.

Depois desses três anos consecutivos de penumbra e infortúnios, a volta da Allman Brothers parecia fora de cogitação. Mas como uma oportunidade para aumentar a conta bancária, se reuniram em 1989 (nove anos depois da segunda separação) para uma turnê em comemoração aos 20 anos da banda. E foi aí que a mágica aconteceu. A turnê foi um sucesso de público e crítica, e o mais importante, trouxe a reconciliação para o grupo que funcionou como um catalisador para um novo disco e a chegada de três novos membros : o baixista Allen Woody, o tecladista Johnny Neal e o guitarrista Warren Haynes. Todos com participação efetiva da criação de sete das nove faixas de Seven Turns, o álbum que marcou o retorno de um ícone do rock americano.   

Seven Turns era o disco que a ABB estava devendo. O som não tem nenhuma inovação, mas traz o que a banda tem de melhor: uma reunião de Blues, Rock de garagem e Southern Rock. Embalados por um balanço irresistível do baixo e bateria, melodias vocais contagiantes e guitarras majestosas e imponentes, é  tudo com frescor e harmonia como há tempos não se sentia nos discos da Allman Brothers. Produzido por Tom Dowd (o mesmo do clássico Eat A Peach e do lengendário Live At The Fillmore East), Seven Turns foi aclamado pela crítica e público e levou o conjunto novamente ao topo das paradas com o Blues - Rock de ‘’Good Clean Fun’’.

O lado A do vinil original era composto por rocks potentes que destacavam a figura do novato Warren Haynes, que mais tarde se tornaria um dos principais membros da banda. Além do hit já citado, ‘’Let Me Ride’’, ‘’Low Down Dirty Man’’e ‘’Loaded Dice’’ são tiros certeiros. No lado B, a faixa - titulo e ‘’Gambler’s Roll’’ são epifanias emocionais. E por fim, a instrumental ‘’True Gravity’’, música característica da história da banda.

Depois de anos no limbo, Seven Turns fez uma das maiores bandas do rock renascer das cinzas. Um disco com tanta força e brilho como os outros grandes clássicos de Gregg Allman e cia.. 



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Twitter : RockySimpson

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