terça-feira, 24 de julho de 2012

Rolling Stones - Uma lenda para ser contada


Ter uma banda de Rock é viver em um cerco imprevisível. Elas podem durar um ano, dois, ou até por um show. Mas o que importa, é que enquanto durar, tudo tem que ser inesquecível.


Os Beatles deixaram sua marca por dez anos, o Led Zeppelin também e o Black Sabbath, junto com outras bandas, continuam a escrever sua história. Pórem, ninguém nunca chegou a fazer o feito que especificamente Mick Jagger, Keith Richards, Ron Wood, Charlie Watts, Mick Taylor, Brian Jones, Bill Wyman, Ian Stewart e todos os músicos que fizeram parte dessa incrível banda. Eles conseguiram fazer o nome Rolling Stones emergir durante 50 anos, ainda na ativa. Seu último registro foi o bom A Bigger Bang de 2006, sendo que ainda continuam fazendo megas - shows  por aqui e por ali.

Mesmo com sua playlist no dia do Rock ( 13 de Julho ), não estamos satisfeitos, e queremos  mostrar muito mais. Estava pesquisando qual disco poderia relatar para vocês, nesses 29 oficialmente lançados pelo grupo. Poderia muito bem escolher o meu preferido * Beggars Banquet de 1968, o maravilhoso Their Satanic Majesties Request ( que de injustiçado não tem nada ) de 1967 ou então o idolatrado Exile. On Main St de 1972, onde o conjunto encerrou a era de ouro. Mas hoje quero falar do grande Aftermath de 1966, o álbum que ficou marcado por quebrar barreiras, tanto na música quanto pessoalmente para a banda.



" Marquee Club, Londres, 1962. Onde tudo começou "

Aftermath foi lançado em 1966. No começo, segundo o baixista Bill Wyman, era para ser trilha sonora do pretensioso filme Back, Behind And In Front que nunca foi lançado. Mick Jagger por ser um cara sincero não foi com a cara do diretor Nicholas Ray e acabou dando em nada. 

Depois disso, tudo estava planejado para que o disco fosse lançado. O compacto por alguma razão, apenas por alguma razão, foi escrito por Jagger e Richards.  " Por alguma razão, Keith e eu escrevemos juntos. Talvez porque nós nos conhecíamos há muito tempo e somos amigos. Brian era um músico muito melhor, mas tudo parecia muito natural e Keith e eu sentíamos que somos muito bom um com o outro ".  Um ano antes  ( 1965 ) os ingleses lançaram December´s Children ( Everybody´s ) e o ótimo Out Of Our Heads, onde eles explodiram de vez mundialmente com o hino, que nunca será um clássico " Satisfaction ". Se tornaram o sinônimo de rebeldia, revolução e tudo aquilo que desafiava o mundo, porque segundo os poetas, o Rock é desafiar o homem, ou melhor, segundo Jack Black em Escola de Rock. Para  os Stones, os anos 60 não foi um tempo de paz e amor como os Hippies taxaram, e isso foi fundamental para os futuros clássicos do grupo, como as emblemáticas " Symphaty For the Devil " e " Gimme Shelter ", retratando o caos, a loucura de uma era.

E lembrando que não saiu nem um " Satisfaction " em Aftermath . Saiu vários deles. " Lady Jane ", " Under My Thumb " , " Paint It Black " e " Out Of Time " ditaram a explosão do disco no Reino Unido e Estados Unidos, para ficar melhor, no mundo.


" Mick Jagger e Keith Richards em um camarim. Discutindo a relação ? ou pensando no que fizeram em Lady Jane ?

Aftermath se inicia com a animada " Mother´s Little Helper ", seguido da elegante " Stupid Girl ". A linda " Lady Jane " que mostrou o ápice da parceria Jagger/Richards deixa você perplexo pela intensidade de como ela é apresentada, do simples dedilhado do violão até o calor da voz de Jagger. " Lady Jane " serviu de influência para grandes nomes que viriam  a ser, dentre eles um músico que também se destacou por suas lindas baladas, Neil Young. É uma das minhas músicas preferidas, junto com a seguinte, a fantástica " Under My Thumb ". Na faixa podemos já perceber o talento de Brian Jones, que viveu uma época de deixar a guitarra de lado e incorporar os discos da banda com outros tipos de instrumentos, como gaita, teclado, flauta. 
Segundo Richards, em " Under My Thumb " ele toca marimbas : " Brian ainda era fantástico fazendo discos, pois ele era bastante talentoso. Ele tocou marimbas nesta faixa. Ele meio que perdeu interesse na guitarra, mas encaixou cores diferentes nas músicas, com outros instrumentos e outras idéias. Ele era demais." E como deu certo, Brian Jones foi decisivo para as seguintes canções e trabalhos do grupo, como na brilhante " Ruby Tuesday " ( não presente no álbum e lançado como um single separadamente anos depois) onde ele rouba a cena com sua flauta doce. 

Logo depois vem " Doncha Bother Me " e " Goin ´ Home ", esta última com duração de 11 minutos. Foi a primeira gravação longa de Rock N ´Roll, quebrou a duração de 2 minutos e sem dúvidas influenciou os Doors e quem sabe as bandas de Rock Progressivo ?. " Foi engraçado. Quando estávamos gravando, esperávamos um sinal para parar, mas ninguém deu sinal de vida e então continuamos. Se vocês prestarem atenção, há uma parada na bateria. Foi quando Keith jogou o casaco em cima de Charlie,  e mesmo assim ele não parou " disse Bill Wyman em uma entrevista. 


" Brian Jones se inovando e se estranhando "

Agora chegamos ao lado B, isso porque estamos na versão britânica. Na versão americana  que foi lançada dois meses depois trazia mais um clássico e reduzia algumas músicas. Era a moda dividir os álbuns lançados em duas regiões que dominava o mercado musical, no caso o Estados Unidos e o Reino Unido.

Se encontramos mais uma vez com o Rock dançante em " Flight 505 ", " High and Dry " e a grande " Out Of Time ", mera coincidência com os Beatles, que também já estavam estourado mundialmente ( mais tarde se tornariam grandes amigos ). " It´s No Easy " e  " I am Waiting " dão as caras, e para terminar " Take It or Leave It ", " Think " e " What To do ", todas bem bonitinhas. 

Na versão americana foi definido que seriam 11 músicas, tirando "Out of Time", "Take It or Leave It", "What to Do" e "Mother's Little Helper ".  Incluíram o clássico " Paint It Black ", faixa que ajudou o disco pegar a platina e também acabaram mudando a capa. Um detalhe que em 1987, " Paint It Black " virou tema de abertura de um seriado chamado Tour Of Duty, no Brasil, Combate no Vietnã. 

Aftermath para muitos foi considerado " o primeiro disco de rock ". Serviu para que o Stones iniciassem a caminhada para a glória e sua era de ouro. Depois do disco, da metade da década de 60 até a metade da década de 80, não houve álbum ruim. Pode parecer exagero mas poucas bandas desfilaram tantos discos bons em sua carreira. Essa é a diferença de ser um bom músico para um gênio. Aquele que é bom consegue satisfazer, mas aqueles que são gênios, vão muito além, mas muito além.



" A capa britânica, lançada em 15 de abril de 1966 "

Depois de Aftermath, a banda lançava Between The Buttons ( 1967 ) e tudo que conhecemos sobre os caras já faziam parte de suas rotinas . As drogas, as mulheres, as briguinhas de Mick Jagger com Keith Richards, os surtos de Brian Jones e a serenidade de Charlie Watts.

Hoje, com cinquentão cravado, Keith Richards ainda discute o legado da banda. "Ainda é muito cedo para falar sobre o legado dos Stones. Nós não terminamos ainda. Há uma coisa que nós ainda não alcançamos, e isso é realmente descobrir quanto tempo você pode fazer isso. Ainda é uma grande alegria estar junto com essa banda que você realmente não pode deixá-la ir. Então nós temos que descobrir, sabe? ".

Não tem o que falar, apesar de não gostar de comparações, o Stones faz parte das melhores bandas que o Rock já viu. Não acredito que tenha a melhor banda. Nem os Beatles, nem o Led Zeppelin, The Who , enfim, cada uma tem ou teve sua função. Todas fazem parte de uma só, o Rock N ´Roll. 

" Você não pode ter sempre o que você quer ". Você simplesmente quer Let It Be? É mais provável, dado o mundo cruel em que vivemos, que você pode ter a Let It Bleed.



* 50 discos que você deve ouvir antes de morrer


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Espero que tenham gostado porque fazer um post desses, ao contrário do que muitos pensam, da trabalho. Não é o trabalho de juntar seu conhecimento com pesquisa para fazer o texto, mas sim de poder transmitir o que o autor sente para seus leitores. 

Até a próxima e Rolling Stones sempre !

2 comentários:

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Todos artigos são publicados por Guilherme M, exceto onde os autores são citados